O preço da criatividade

De um ponto de vista gerencial, achar que é possível comprar criatividade pode parecer até senso comum, tendo em vista que qualquer outro serviço pode ser comprado. Mas quem acha que pagando um preço alto é garantia de receber um trabalho criativo, está enganado.

Recompensar pessoas por um trabalho duro é ótimo, mas já não é garantia de lealdade e, muito menos de criatividade. A recompensa pode servir como um ótimo  incentivo, ou as vezes como uma ameaça, mas nunca vai ser garantia de bom resultado quando se tratam de trabalhos complexos, desafiadores e criativos.

Pelo contrário, existem evidências científicas de que as motivações extrínsecas (recompensas ou punições) têm um efeito negativo sobre a criatividade. Enquanto parece óbvio que a pressão de uma punição tenha efeito negativo, seria contra-intuitivo pensar que a recompensa teria o mesmo efeito.

Pessoas são mais criativas quando motivadas pelo seu próprio interesse, satisfação e nível de desafio do trabalho em si – não por pressões externas.

Teresa Amabile, How to Kill Creativity

Mas acontece que quando se foca na recompensa, perde-se o foco no trabalho em si. E qualquer pessoa mais criativa vai dizer que para ter um bom desempenho ao realizar tarefas criativas  – seja a resolução de um problema altamente técnico ou uma obra de arte – é necessário 100% de foco na tarefa, quase como uma obsessão para resolvê-la. É preciso gostar muito do que está fazendo.

Cada pessoa tem seu preço, um valor para colocar seu intelecto e conjunto de experiências à disposição de uma empresa e, se esse valor estiver longe do ideal, a compensação se torna uma contenção, uma distração a mais para a pessoa lidar. Mas se o objetivo é conseguir o máximo das pessoas, é necessário focar nas motivações intrínsecas – os elementos inerentes ao trabalho em si. Fatores como desafios, interesse, aprendizado, significado, liberdade e fluidez criativa. São eles que motivam as pessoas criativas, e as pesquisas demonstram uma forte conexão entre os níveis de motivação intrínseca e o desempenho criativo.

Criatividade não se compra, se inspira

Então como atrair pessoas criativas e extrair o melhor delas? Parte deste desafio é uma questão organizacional, como colocando pessoas para trabalhar em equipes menores, com maior autonomia são elementos que parecem estimular mais a criatividade do que departamentos maiores com gestão centralizada.

Mas a relação entre líderes, equipes e entre os próprios integrantes também é fundamental. Como os desafios são encarados, a comunicação entre a gerência e o time e como os integrantes se apóiam, encorajam e desafiam uns aos outros.

O dinheiro compra o tempo das pessoas, e também pode garantir certo conjunto de competências profissionais, mas ao se esperar que apenas o dinheiro seja a motivação, o que se consegue são mercenários.

Se o objetivo é um trabalho altamente criativo – aquele tempero especial que diferenciará seu produto da concorrência – é necessário inspirar, mostrar o quanto o trabalho é encantador, desafiador e divertido. E também é necessário dar espaço para que as pessoas façam o trabalho do jeito delas, ao invés de tentar gerenciar cada passo.

Então como manter as pessoas inspiradas?

Qualquer profissional que lide com criatividade pode já ter vivido certa tensão entre seus próprios desejos e as demandas do mercado, da gerência ou dos consumidores. Não existe uma fórmula para resolver essa questão, pois se você gastar muito tempo nos projetos pessoais, vai acabar deixando a diretoria insatisfeita. Por outro lado, se você se dedicar apenas a trabalhar por dinheiro em um trabalho que não inspire, sua criatividade vai desaparecer.

Então é necessário entrar em equilíbrio entre as motivações intrínsecas e extrínsecas. Muitas vezes será necessário se dedicar a trabalhos menos inspiradores, mas que ajudem a pagar suas contas, enquanto isso busque realizar tarefas criativas em outros momentos, para que manter aquela chama criativa acesa.

A maioria das tarefas parece desinteressante a primeira vista. O desafio é mudar a perspectiva e encontrar maneiras criativas de resolvê-las, não importa o quanto pouco desafiador elas pareçam. Se você conseguir superar a barreira inicial e encontrar soluções criativas e originais, vai se sentir muito mais recompensado ao fazê-las, e ainda será reconhecido por isso.

É importante lembrar que assumir uma postura de ‘diva’ – reclamando de tudo e achando que é intocável – não ajudará em nada.

Texto original: http://the99percent.com/tips/7053/Why-You-Cant-Buy-Creativity

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